“The Timers – Revival Meeting 2018”

 

Mais uma vez se aproximava um grande evento. Foi aqui que tudo começou para mim. À cerca de três anos, o bichinho tinha despertado no primeiro “The Timers”, quando sem motivo aparente, resolvi lá ir sozinha. A vida é mesmo assim, feita de pequenos instantes de insanidade, que na verdade muitas vezes são o início de uma nova fase da nossa vida.

Encontrava-me de férias na semana de preparação do Timers, e a Maria tinha-me desafiado para dar uma espreitadela ao espaço e dar uma ajuda no que for preciso. Embora doente, nem hesitei. O destino, estava mais que escolhido, Gaia – Quartel da Serra do Pilar. Estávamos cheias de vontade e prontas a trabalhar. A pressa do pessoal era imensa, pois restava muito pouco tempo para preparar um evento tão incrível como aquele. A organização de um festival destes, que ainda tem poucos anos de existência, engloba um complexo e extenso leque de atividades pensadas previamente. Inicialmente ter perfeita noção da mensagem a passar e o publico alvo que queremos atrair, posteriormente a seleção criteriosa da data e a opção por determinado espaço, a sua promoção e comunicação assim como a imagem global do evento. Nunca esquecendo as questões diretamente relacionadas com o espaço, a criatividade na estruturação do programa, a imagem e interligação dos espaços referentes as diferentes temáticas existentes. Sem duvida um projeto ambicioso e agora que terminou o deste ano, acho que estiveram todos muito bem, e sem duvida que foi um êxito que quantos mais anos durar mais irá crescer.

 

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Fotos: 1 e 2 Delfina Brochado; 3 Manuel Portugal

 

Sábado, 1º dia, peguei na “minha menina” e encontrei-me com uma amiga em Ermesinde. Partimos rumo ao Timers onde nos esperava um curso de Flack Track, patrocinado pela Yamaha. Estava um sol incrível e o espaço a ficar lotado de gente. Chegamos tarde e já não conseguimos participar na primeira turma, teríamos de ficar para a turma da tarde. Sendo assim a manha foi preenchida para apreciar todo o evento, motas, carros, os stands das diferentes marcas representadas e claro, conviver com o pessoal. Almoçamos mesmo por ali e ao inicio da tarde estávamos mais que preparados para o curso. A ansiedade era muita. Mota diferente do habitual, piso de terra, ausência do travão da frente e uma condução bem diferente do que estou habituada. Nada como tentar, a hipótese tinha-me sido dada, e eu não a iria desperdiçar. Sento-me em cima dela e lá vou eu. Na verdade a falta do travão da frente rapidamente foi superada, não que não sentisse a sua falta de vez em quando mas não era difícil contornar o assunto. Recordo-me de várias vezes me virar para a Maria e dizer, “Maria, eu não consigo”, e ela já me conhecendo respondia, “anda, arranca” com aquela voz autoritariamente doce, a dose certa para eu o fazer sem hesitar. De repente tudo parecia mais simples que o que imaginava, aprendi imenso, ultrapassei vários receios que tinha e tudo correu super bem. Estava de coração cheio.

 

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Foto: 2 5Special; 3 Cave Criativa

 

No sábado a adesão referente aos veículos clássicos ainda não era muita, seria mais intensa no domingo visto haver no programa um desfile dos mesmos, a meu ver era uma iniciativa que pretendia promover uso do veículo clássico, como forma de demonstrar a sua importância cultural e social. A dimensão do universo de entusiastas de automóveis Clássicos e Antigos, Motos, Motorizadas, mas também automóveis novos e de ocasião, é enorme e estiveram patentes ao publico. Alguns são relíquias com rodas, verdadeiras raridades. Cada um participava com a presença de viaturas das suas coleções que seguramente fizeram sorrir muitos dos nossos visitantes ao verem estas peças antigas agora recuperadas. A participação de stands de várias empresas do ramo e também associadas à animação e apresentação de diferentes projetos preenchem a tarde de sábado e seguramente deliciaram os visitantes. Foi um partilhar de experiências com todos aqueles que nos visitam, sempre ao som de boa música.

 

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Fotos: 1 e 2 Photologic Eye; 3 Realce Fashion & Lifestyle; 4 Yamaha

 

Para terminar bem o dia nada como pegar na minha menina para uma viagem até casa. Atravessar o Porto é algo que mexe comigo. Uma cidade linda, onde a vida se faz por entre as margens do rio, entre as fachadas sujas dos edifícios de cores escuras e cheiros intensos, onde se recebe a luz da lua, quase como uma lufada de ar fresco. É uma das minhas cidades e percorre-la de mota torna tudo mais intenso e profundo.

Domingo, 2ª dia, acordei cedo e com uma vontade enorme de voltar ao evento. Tinha-nos sido proposto repetir o curso de Flack Track. O resultado tinha sido tão positivo no dia anterior que não nos foi possível recusar o convite. Iniciamos as aulas teóricas, e demos inicio ao primeiro exercício. Mal eu sabia que ia ficar por ali. Começamos por fazer “s”. Na terceira volta, ao terminar o ultimo “s” dou de caras com o professor na minha direção e de costas para mim, tive poucos segundos possíveis para decidir ou ia contra ele ou travava a fundo evitando tocar-lhe. Travei a fundo, não lhe toquei mas infelizmente só parei no chão. Apesar de todas as proteções, o meu pé tinha ficado debaixo da mota e ao contrario. Ninguém acreditava que tivesse acontecido algo grave e por isso mesmo tudo se preparava, inclusive eu, para dali a uns minutos voltar a pista. A corrida final tinha sido o que mais adorei fazer no dia anterior e por isso o mais esperado no dia de hoje. Não queria acreditar que não a ia fazer novamente. Enquanto estava quente não tinha muitas dores, tentei aguentar o mais possível para voltar, mas infelizmente quanto mais fria ia ficando ia percebendo que não ia ser possível. Só passado umas 4/5 horas me convenci que aquilo podia ter sido realmente grave, e fui ao hospital. Estava confirmado, tinha partido o tornozelo! Definitivamente não era o meu dia de sorte. O evento tinha ficado por ali, para mim, e pior que isso tão cedo não iria pegar na minha menina. Apesar de não ter terminado da melhor forma, adorei e para o ano lá estarei.

Foi memorável, imaginem um lugar cheio de pessoas com objetivos em comum, metas em comum e negócios em comum. Sem duvida que com o tempo será um evento que ira mobilizar muita gente pela repercussão mediática que tem adquirido dentro e fora da cidade onde decorre, e que continuam a ter impacto para além das datas nas quais se realizam, pois são eventos que facilmente queremos reproduzir. Há três anos consecutivos que tem apresentado resultados positivos, seja na captação de público, de visionamento, seja na criação de ligações e contactos entre pessoas com os mesmos interesses. A satisfação com o evento foi extremamente elevada. Mas o aspeto que mais importa relevar é a intenção clara das pessoas de voltarem. Obrigada “Ton-up Garage” pela excelente organização e recepção, “Yamaha” pela possibilidade desta experiência incrível de “Flack Track”, “Di Traverso School” e “Faster Sons”, obrigada pelas dicas cruciais, foram sem duvidas momentos incríveis, “Nexx Helmets” pelo apoio e proteção.

Não é desta que irei desistir, por algum motivo as coisas acontecem, e só acontecem a quem arrisca e não desiste dos seus sonhos. Até para o ano “The Timers”.

 

 

Filipa Gomes
filipa@foxy-riders.com
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