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Talvez para o Ano!

A nossa vida é feita de histórias, com muita curvas e contra-curvas, paragem brutas, alguns sustos e acidentes. Fazemos planos, tentamos cumprir, mas nem sempre é possível.
Ao fim de quase 15 anos pensei voltar à concentração de Faro, estava tudo organizado, já em terras algarvias. A moto era uma Yamaha R1 de 2010, toda personalizada.

IMG_0701As motos têm sempre características muito próprias e como as pessoas conseguem tirar o melhor de nós ou o pior. Testam os nossos limites e fragilidades. Por isso adoro mudar de máquina, testar, viver, é sempre o meu mundo que descubro através delas. Viver no agora, viver no momento.
Esta R1 foi comprada em segunda mão, o primeiro dono foi pai, e fez desta bela máquina uma peça decorativa que tinha na sala, era um sonho de infância. Com menos de 1000km feitos e toda de origem, foi vendida ao meu irmão que na altura estava a acabar a carta de condução, mas já conduzia há algum tempo e pediu-me para a ir buscar. Quando cheguei lá, esta não pegava, aí começou a aventura. Subir uma colina para colocar uma fera destas a trabalhar de empurrão. “Que perigo”, pensei eu, mas não queria deixar o meu irmão sem o brinquedo novo. Na realidade subimos a colina mais que uma vez, estávamos a morrer, mas lá consegui ligar este monstro adormecido que rugiu como se estivesse a gritar pela liberdade. No caminho para casa, vinha com receio de ela ir abaixo e ter de voltar a empurrar esta bela adormecida. Vinha a puxar por ela, de tal maneira que ao arrancar num semáforo, ao passar para o verde consegui sem grande esforço levantar a roda da frente, não muito, mas o suficiente para voltar a tentar levantando pouco mais. Esta brincadeira acalmou com um carro policia que apareceu ao meu lado, e que “atenciosamente” me avisaram para ter juízo. Eles tinham razão, mas estava a divertir-me demasiado, por isso engrenei a primeira e desapareci no meio do trânsito de hora de ponta em Lisboa. Depois disso ainda passou umas temporadas comigo. É uma moto muito divertida de conduzir, às vezes até desregrada, quando sabemos que se cairmos naquele momento morremos com toda a certeza. Foi assim que a conheci, e já se passaram cinco anos.

 

IMG_0669O João personalizou-a toda, desde as carenagens, colocou escapes completos Yoshimura e as mudanças no motor que lhe deu mais cavalos e transformou o seu “look” preto brilhante em preto mate e carbono. E eu estava desejosa de matar saudades desta bela nada adormecida.

Estava tudo combinado para ir no sábado com mais uns amigos, porém sexta à tarde o meu mano foi lanchar com a namorada. Colocou a moto em cima do passeio, e foi avisado pela polícia que tal não era permitido, apesar da largura do passeio. Não existindo parque de motos, colocou entre os carros como a polícia sugeriu. Estava ele a lanchar, ouve um estrondo, e vê a moto no chão e uma senhora a fazer marcha atrás e a arrastar a moto. Partiu as carenagens, entortou o guiador, deu cabo da R1 toda. O João ficou para morrer, por acaso ele estava lá e não deixou a senhora fugir. Ela simplesmente disse que não a tinha visto, deu se como culpada, mas perguntou porque ele não tinha colocado em cima do passeio que estaria melhor.

Não tenho queixa nenhuma da polícia pessoalmente, mas sei que existem muitas regras que não fazem sentido, existindo passeio largo o suficiente não vejo qual o problema de estacionar em cima deste. A polícia tem de ter bom senso. Desde que uma cadeira de rodas ou um carrinho de bebé passe não vejo nenhum problema de ter uma moto em cima do passeio.

A minha ida à concentração de Faro ficou adiada, talvez para o ano nos encontremos por lá.
Boas curvas para todos e em segurança.

Maria Duarte
maria@foxy-riders.com

Designer, fotógrafa e relação publicas. Tenho uma enorme paixão por motos e desportos radicais. Amo a forma como me fazem sentir! De tal maneira que o meu veiculo do dia a dia é uma BMW F800 e, para mim, escrevo para a melhor revista de motos portuguesa, a REV Motorcycle Culture, onde tenho a oportunidade única de experimentar novas motos, conhecer novos construtores e viver a minha paixão como forma de vida. A culpa foi do meu pai, que um dia chegou a casa com uma Harley Davidson e eu, miúda dos meus 6 ou 7 anos fiquei apaixonada para toda a vida. Aos 10 anos comecei a conduzir motos, mas como não tinha a minha, cheguei a “roubar” a moto do meu jardineiro. Por pensar e agir de forma muito própria, percebi muito cedo que sou responsável pela minha felicidade e que normalmente nada tem a ver com o que a sociedade nos incute, ganhei do meu pai a alcunha de “a rebaldeira”. Também porque adoro experimentar novas actividades e testar os meus limites, apesar de ser muito feminina, gosto de muitos desportos que são considerados, desportos ou actividades masculinas. Para mim, preconceitos! Algo que se manteve constante em toda a minha vida, passear de moto por um dia ou mais sem destino, só guiada pelo meu espirito aventureiro, ainda é das minhas coisas preferidas da vida!

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