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Rolar com Randi Mamola

Sou uma privilegiada, pois a minha riqueza é a minha história, as oportunidades que tive e felizmente ainda tenho. Esta experiência aconteceu há alguns anos, mas vai marcar-me para sempre e tudo começou com um simples telefonema e um convite. Se queria andar numa Ducati de competição modificada com o Randi Mamola no autódromo do Estoril? “CLARO QUE SIM!!!”
Cheguei bem cedo ao autódromo onde estava a decorrer o Campeonato de Moto Gp e fui encaminhada para o autocarro da Ducati, onde assinei um termo de responsabilScreen Shot 2016-07-09 at 20.17.42idade. Segui para o médico da equipa, que logo após alguns testes me deu a autorização necessária. Voltei para o espaço da Ducati, onde era suposto almoçar, mas estava tão ansiosa que nem consegui comer grande coisa. Chegou a hora de vestir a roupa e quando comecei a sentir o peso do fato de cabedal e todas as protecções extras comecei a ficar nervosa, mas a experiência era única e não ia perder a oportunidade, porém mal me conseguia mexer. Agora sabia porque andavam eles todos tortos, o fato não deixa andar de outra forma. Juntou-se o grupo todo que ia realizar a experiência e ficámos todos na galhofa quando me tocaram no ombro e olhei para trás, lá estava o Randi Mamola, apresentou-se e pediu para falar comigo a sós, sendo a única mulher no grupo queria deixar-me à vontade.

Apresentou-se e quis saber algumas coisas sobre mim, se andava de moto, se sabia andar como pendura. Queria deixar-me mais segura, disse que podia ir devagar, mas que assim eu não teria a sensação que eles têm quando estão em competição, ao qual eu respondi, que não estava com medo, porém ansiosa que chegasse o momento de ir andar, por isso queria que ele fosse como estivesse a competir! Disse que só tinha feito aquele evento com cerca de 500 pessoas espalhadas por todo o mundo, e que as últimas tinham sido com o Brad Pitt e o Michael Jordan!
Fiz logo um filme na minha cabeça, o Michael Jordan no banco de trás do Randi, devia parecer um canguru com o filho na bolsa. Depois explicou que só tinha 16 minutos de pista, que iria aquecer os pneus nos primeiros 2 minutos, dando umas voltas à pista e perguntou em que lugar queria eu andar: em primeiro? Não queria saber o que ia acontecer. Ele sorriu!

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Chegou a hora! Fomos para o paddock, ele arranca para as voltas de aquecimento, o resto da equipa preparou-me e colocou-me na pista, no sítio onde ele ia parar, pois não existia tempo a perder. Assim que ele pára, subo para a moto, um senhor confirma que as minhas mãos estão nas pegas, bem fechadas e se estava tudo bem e dá o “ok”. O fiscal da pista dá a largada. Randi arranca em cavalinho, mas sempre a aumentar a velocidade. Nós a chegarmos à curva e ele não mete a roda no chão, e na minha cabeça ele, desculpem, nós não íamos conseguir fazer a curva, mal entra na curva ele desce a roda e deita a moto, deita tanto que o meu joelho que tinha uma proteção estava a um centímetro do chão ou talvez menos… Eu, no fundo, só queria endireitar o motociclo, mas sabia que qualquer gesto meu podia originar uma queda, por isso fiquei quieta e cheia de medo, no entanto também estava a divertir-me imenso. Todo o meu corpo fervilhava de excitação. Ele só abrandou na terceira curva, e o alcatrão ficou bem perto de nós, a destreza com que ele fazia as curvas era incrível! Assim que a pista o deixou ele acelerou, fizemos a recta principal a 308km/h, fiquei a saber depois, posso dizer que as linhas que limitam a pista deixaram de ser listadas azuis e brancas para ficar num azul claro. Demos duas voltas à pista em menos de 2 minutos, posso dizer que foi uma experiência inimaginável! Ele acabou a fazer uma égua até parar a moto. E tive de saltar da moto, para dar vez ao próximo! Foi absolutamente alucinante! A mestria de condução daquele homem era simplesmente de outro mundo!

Só quando parei e meti os pés no chão é que tive a noção completa do estado do meu corpo, pois tinha-me esquecido de respirar. O suor dentro do fato de cabedal que ficou colado ao meu corpo, não me estava a deixar recuperar o fôlego, nesse momento espetaram me um micro e uma câmara para fazer uma entrevista. Só consegui dizer: “Take the F@€£‰*?/&%$#ing helmet, of!!“. Foi a única coisa que me saiu da boca… Não foi bonito, mas não me arrependi de nada, foi uma experiência incrível! A condução daquele homem era como nada que eu tinha visto, o controlo, a destreza… E aquela moto! Saí de lá a dizer que queria uma Ducati igual!! Se é para andar à pendura, só mesmo com o Randi Mamola!

Maria Duarte
maria@foxy-riders.com

Designer, fotógrafa e relação publicas. Tenho uma enorme paixão por motos e desportos radicais. Amo a forma como me fazem sentir! De tal maneira que o meu veiculo do dia a dia é uma BMW F800 e, para mim, escrevo para a melhor revista de motos portuguesa, a REV Motorcycle Culture, onde tenho a oportunidade única de experimentar novas motos, conhecer novos construtores e viver a minha paixão como forma de vida. A culpa foi do meu pai, que um dia chegou a casa com uma Harley Davidson e eu, miúda dos meus 6 ou 7 anos fiquei apaixonada para toda a vida. Aos 10 anos comecei a conduzir motos, mas como não tinha a minha, cheguei a “roubar” a moto do meu jardineiro. Por pensar e agir de forma muito própria, percebi muito cedo que sou responsável pela minha felicidade e que normalmente nada tem a ver com o que a sociedade nos incute, ganhei do meu pai a alcunha de “a rebaldeira”. Também porque adoro experimentar novas actividades e testar os meus limites, apesar de ser muito feminina, gosto de muitos desportos que são considerados, desportos ou actividades masculinas. Para mim, preconceitos! Algo que se manteve constante em toda a minha vida, passear de moto por um dia ou mais sem destino, só guiada pelo meu espirito aventureiro, ainda é das minhas coisas preferidas da vida!

1Comment
  • FATifer
    Posted at 21:43h, 26 Julho Responder

    Excelente descrição! Tive privilégio de ter acesso a áreas restritas no GP do Estoril mas o que relata é sem dúvida especial.

    Cumprimentos,
    FATifer

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