Oficialmente Foxy

 

Oficialmente Foxy

As vezes tomo as decisões menos óbvias e acabo por me surpreender a mim própria. Após um período complicado, estava a precisar de algo que mexesse realmente comigo. A ideia de querer andar de mota sempre esteve presente na minha vida, principalmente agora depois do acidente de carro. Mais do que nunca seria a altura ideal para ter essa experiencia.

Em Junho de 2017, adquiri a minha primeira mota. Nunca tinha andado em tal coisa, e a ideia de o fazer assustava-me um pouco, mas a vontade era maior. Enquanto isso não acontecia, todos os dias andava com ela para trás e para a frente de forma a habituar-me ao seu peso. Um dia, enquanto pesquisava sobre a mesma, apercebo-me que o numero do quadro não é o mesmo do livrete e mais grave ainda, a mota que constava neste, não poderia ser conduzida por mim, desta forma tive de a devolver. A desilusão era obvia e numa conversa de café eis que surge a possibilidade de ter uma nova “menina” e junto com ela umas aulas de mota. Afinal nem tudo estava perdido.

Setembro de 2017, sempre era real. A minha Honda CM tinha chegado e de perfeita saúde. Era linda e a idade só lhe trazia mais charme. O mais difícil viria depois, aprender a andar. Coloquei o medo de lado e dei inicio as primeiras aulas. Inicialmente numa lambreta para garantir o equilíbrio e assim que me foi possível mudei para a minha. Tudo parecia confuso, era muita coisa a assimilar ao mesmo tempo, mas aos poucos tudo começa a surgir naturalmente, e o medo a transformar-se em adrenalina. Cada aula era uma nova experiência, o bichinho crescia, e com ele uma vontade enorme de ir por aí.

 

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Fiz alguns passeios com uns amigos, como pendura, e a cada experiencia a vontade de andar era maior. Ainda me aventurei a ir para o monte numa Beta, gostei imenso, mas a minha praia ainda assim, não era aquela. Os dias passavam e a companhia para andar de mota era sempre escassa. Num dos fins-de-semana em que era previsto eu não pegar “nela”, sem contar, surge um convite para um passeio com as Foxy riders.

Adormeci a pensar no assunto e acordei com a incerteza se seria aquele o dia em que arriscaria numa nova aventura. Cansada de me convencer que não tinha experiência, acabei por ceder à inevitabilidade de aceitar o convite. Pessoas novas, lugares novos, mota completamente desconhecida e experiência quase nula. A adrenalina estava ao rubro.

 

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Chegada ao Porto. Pessoal top, ambiente tranquilo e a energia positiva era óbvia, o que tornou tudo á minha volta bem mais simples. Assim que me sento em cima “dela” o primeiro pensamento que surge é “és doida, desce daí”. Era linda, gigante e o seu trabalhar fazia-me parecer que tinha vontade própria. Eu tinha a certeza que ela não queria que eu a largasse.

1ª Etapa foi Espinho. Sem pensar muito no assunto, fluímos por ali fora, passou e pouco me apercebi. O espirito de equipa ao longo do percurso era notório e o meu medo tornou-se ridiculamente estúpido. 2ª Etapa foi o regresso ao Porto. Espinho tinha sido bom de mais, com mais ou menos percalços o balanço era muito positivo. Estava tão anestesiada, que o trânsito que encontrei no Porto pouca confusão me fez.

Chegamos ao destino e respirei de alívio. Tinha encontrado alguém que gostava do mesmo que eu, que parecia ter o mesmo friozinho na barriga sempre que ouvíamos o roncar das meninas ou o simples cheiro a gasolina.

O dia tinha terminado e eu era oficialmente uma Foxy.

 

 

Filipa Gomes
filipa@foxy-riders.com
2 Comments
  • Carla Reis
    Posted at 11:47h, 23 Junho Responder

    Boa dia, Foxy Riders

    Identifico-me muito com este percurso de vida.
    Muitos parabéns pela iniciativa.

    Um Bom S. João.
    Carla Reis

    • Filipa Gomes
      Posted at 20:29h, 13 Julho Responder

      Obrigada Carla, é sempre bom saber que alguém se identifica connosco. Tudo de bom. Beijinhos

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