2018-07-20 17_Fotor

Motorbeach 2018

 

PT

Motorbeach 2018

A decisão da ida foi na última. A vontade sempre lá esteve, mas o facto de não poder ir na minha menina, ao motorbeach, levava-me a pensar que não valeria muito a pena. A Maria não podia, o que tornou a minha decisão e da Betty mais ponderada.

Quinta-feira 10h, largo o carro em Ermesinde e arrancamos de mota para o primeiro spot – Chaves. A viagem foi rápida e o ânimo era notório, paramos para almoçar na casa do “Rei”, já conhecido do pessoal. Pela quantidade de motas que avistei à chegada, esta viagem só podia ser animada. Não conhecia praticamente ninguém, mas sem pensar muito no assunto, infiltrei-me no grupo. O almoço foi como que a primeira aproximação com o pessoal, e correu muito bem. Despedimo-nos do “rei” e seguimos viagem. O destino era Astúrias, com previsão de chegadas as 21h.

Ana, uma pessoa incrível, de uma disposição contagiante, era ela com quem iria partilhar a viagem de forma mais próxima, e com o João, o nosso repórter de imagem, que faria a cobertura de toda esta experiência. Como não nos conhecíamos, assunto não faltou e o tempo passava sem nos apercebermos. Poucos quilómetros depois de Chaves, o primeiro incidente. Uma mota avariou e sem reparação possível para voltar a seguir viagem. Tenta-se resolver tudo rapidamente, mas ainda assim passaram cerca de 2 horas. A espera não foi difícil, com este pessoal estava comprovado que o tempo voava. Seguimos viagem e pouco depois, segundo imprevisto. Um de nós caiu. Algo que poderia ter sido bem grave, mas que correu bem. A mota é que teria de ficar para trás. Tínhamos duas baixas, mas não era isto que nos fazia desistir. Mais duas horas de espera, e a chegada que estava prevista para as 9h adia-se para as 4 da manha. O tempo esteve bom durante maior parte do percurso, mas à chegada aos picos da europa, o tempo altera-se. Chuva e muito nevoeiro eram fatores constantes, que não tem nada de errado, mas sim algo que veio tornar o desafio ainda bem maior. Exaustos lá chegamos ao destino, Astúrias.

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Uma cidade linda e pitoresca que se desenvolve por entre escarpas, rios e praias. As fachadas sujas dos edifícios de cor escura e os cheiros intensos onde se recebe a luz do sol quase como uma lufada de ar fresco, são cenários incrível para esta aventura.

Sexta-feira, o acordar foi tardio, estávamos todos cansados, mas o destino era o Motorbeach. Fomos até ao centro onde almoçamos e rapidamente nos apercebemos da necessidade de comprar umas galochas. É verdade, o recinto que nos esperava estava inundado de lama, o tempo não estava animador. Um pormenor que só veio trazer mais curiosidade. Chegamos ao destino e o astral era top, motos, surf, e musica eram de sobra. Sabíamos de longe que não era o melhor ano, o tempo no estava convidativo e o evento tinha reduzido muito de tamanho e variedade de ofertas, mas já estávamos lá e tínhamos mais é que aproveitar o que havia. Na realidade não precisávamos de mais, havia de tudo um pouco, motas de todas as formas e feitios, concertos, praia, surf, comida, bebida, e tendas de acessórios para amantes de duas rodas. O espaço era lindo, a praia incrível e com uma vista deslumbrante. Podia não ser o melhor ano, mas eu não conhecia outro. O dia passou num ápice e embora cansados, a noite ainda se perlongou e o convívio durou até tarde. Foram horas de histórias, e experiencias marcantes, intercaladas de momentos únicos de humor. O pessoal revelava-se cada vez mais interessante. Pessoas de conversa fácil e envolvente. O relógio não parava e o cansaço fazia-se notar cada vez mais. Mais umas horas de descanso e la estávamos nós prontos para mais um dia. Sábado, o tempo mais uma vez não parecia melhorar. Alteramos os planos e decidimos pegar nas meninas e ir a descoberta de novas paisagens.

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Mergulhamos numa misteriosa e agreste floresta, quase virgem. Arvores de um verde intenso que formavam majestosas torres de luz e cor. Aproveitávamos pequenas paragens para guardar memórias, mas muito curtas porque a vontade de rolar era muito maior. A chuva caia-me no rosto de forma mais constante. A força das gotas era incrível e o seu cheiro impossível não ser detetado, tocava-nos de forma profunda, tao bom que nunca desejei tanto que não parasse de chover. De mota tudo parece fazer mais sentido, as coisas são vividas de forma mais intensa e damos valor a coisas que nunca tínhamos reparado. O vento não era muito forte, o que tornava tudo de mais fácil perceção. O roncar do motor mais a dualidade da estrada com o verde da vegetação era deslumbrante. Nada mais se ouvia e se fazia sentir para além disso. Muito pouco na verdade, mas muito intenso e só possível ao colo das meninas. Assim andamos por umas boas horas. Quilómetros e quilómetros de sensações variadas de impossível descrição. Estávamos no nosso mundo a fazer o que mais nos dava prazer.

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A viagem terminou com um ótimo jantar de convívio, que nos animou para dar mais um pulinho ao Motorbeach. A imagem daquele espaço de noite, iria de certeza ser diferente e não a podíamos perder. O terreno estava mais enlameado do que o dia anterior, mas mesmo assim não nos demoveu. Aproveitamos o concerto ate ao fim e terminamos o dia com a certeza que não poderia ter sido melhor aproveitado. Domingo, tínhamos novamente muito quilómetros pela frente. Despedimo-nos da cidade e arrancamos para uma nova viagem que terminava novamente em Chaves, com mais um convívio em casa do “rei”. Mergulhos, boa comida e muita bebida. Bons momentos marcavam o fim desta aventura.

Tínhamos mergulhado nos mistérios das Astúrias e saía de lá com a bagagem cheia de novos desafios, experiências e emoções. Tudo isto impossível sem as pessoas excepcionais que me acompanharam e acolheram nos seus mundos de forma tao quente e despreocupada.

@Lisbonmotorcyclefilmfest @losvagabundosmc @opuristabar @quartasemazeitão @gazolinemotorcycleculture @beersbikes @nunolimamendes @hvaz @pedrompcrodrigues @ricard0china @alcobia @anavice @ricardoguerra @dannycardoso @bettycarvvalho @alexb696 @carlos_pereira_1975 @joaoalveswow @rei

Obrigada pessoal! Motobeach, até para o ano!!

 

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EN
It was a last minute decision. The wish was always there, but the fact that I couldn’t take my beautiful bike to Motorbeach made me think it wouldn’t be worth that much. Maria couldn’t go, which made my decision and Betty’s more thoughtful.
Thursday 10am: dropped the car in Ermesinde and started motorbike to the first spot – Chaves. It was a quick trip and the mood was notorious! We stopped for lunch at the “ King’s” house, already familiar to everybody. From the amount of motorbikes i saw on arrival, this trip had everything to be fun. I didn’t know anyone, but that wasn’t a problem. The lunch was like an approach with the people and that went well. We said goodbye to the “ King” and continued our journey. The destination was Asturias with expected time of arrival at 9pm.
I met Ana, an incredible person of a contagious disposition, and João, the image Reporter ( who would cover this whole experience ), they were the ones that I would share the trip more closely because we had big empathy right away. A few Kilometers after Chaves, the first incident: a motorcycle broke down with apparently no possible repair to continue the trip. It passed 2 hours to solve it, but time flew with this incredible crew. We continued the trip and shortly after, the second incident: one of us fell down. Something that could be very serious, but it turned to be ok. This bike had to stay behind. We had this two incidents but it was no reason to give up. So the estimated arrival of 9pm went to 4am… The weather was good for most of the journey , but on the arrival at the peaks of Europe, the weather changed. Rain and fog. Not a problem for me, I see it more like a challenge! Finally and exhausted we arrived to our destination: Asturias!
A beautiful and picturesque city that develops among cliffs, rivers and beaches. The grimy facades of dark-colored buildings and the intense smells where sunlight appears like a breath of fresh air were incredible settings for this adventure. Friday: the wake up time was late, we all were tired, but the destination was Motorbeach! We went to the city center to lunch and we realized that we had to buy some rain boots because the place that we were going was flooded with mud, the weather wasn’t that charming! A little detail that brought me more curiosity. We arrived at our destination and the environment was awesome: bikes, surf and music all together! We knew from far that this wasn’t the best year due to the weather conditions and the event had reduced a lot in size and in variety of offerings. But once we were already there we had to make time a blast! In reality we didn’t need much more, there was a little of everything: bikes of all shapes and forms, music concerts, beach, surf, food, drinks and accessories tents for lovers of two wheels! The place was beautiful, the beach incredible and with a breathtaking view. It might not be the best year, but I knew no other. The day passed in a blink of an eye and despite we were tired, night was till late in a mix of chatting with new friends sharing remarkable experiences, hours of stories and unique moments of good humor. People I met turned out to be more and more interesting. People of easy and engaging conversation. The clock didn’t stop and the fatigue became more and more noticeable. A few hours of rest and we were ready for another day. Saturday: the weather again didn’t seem to improve. We changed plans and decided to take our ‘girls’ and go discover new landscapes. We dive into a mysterious and wild forest, almost virgin. Trees of an intense green that formed majestic towers of light and color. We made small stops to keep memories, but very short because de desire to roll was much greater! The rain fell on my face more steadily. Impossible not to feel and smell the rain drops. It felt so good that for the first time I didn’t wanted that the rain stopped. Riding a bike makes everything more intense and the little details of simple things makes more sense. The wind wasn’t to strong, which made everything easier to perceive. The motor snore plus the duality of the road with the green of the vegetation was dazzling. Nothing else was heard and felt beyond that. Very little actually, but very intense and only possible on the lap of the bikes. So we ride for a good couple of hours. Miles and miles of mixed sensations impossible to describe. We were in our world doing what most pleased us.
The trip ended with a great dinner party and we went to Motorbeach to have some more fun. The image of that place at night would surely be different and we couldn’t miss it. The floor was muddier than the day before, but still didn’t move us. We saw a concert till the end and finished our day with the certainty that it couldn’t have been better taken advantage of.
Sunday: we had many kilometers ahead! We left the city and started for a new trip that ended again in Chaves with another meeting in “ King’s “ house. Dives, good food and drinks. Good moments marked the end of this adventure. We had plugged into the mysteries of Asturias and left there with a bag full of new challenges, experiences and emotions . All of this was impossible without the exceptional people who accompanied and welcomed me in their world in a warm and easygoing way.
Thank you guys! Motorbeach see you next year!
Filipa Gomes
filipa@foxy-riders.com
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