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Ser livre!

É uma explosão dos sentidos e porém todo começa em “slow-motion”, o corpo vibra com aquele momento, aquela máquina de duas rodas funde-se comigo, somos uma, somos parte viva do nosso contexto, da paisagem, dos cheiros, da textura da estrada. Estou a viver no agora. Tenho a sensação que consigo fazer tudo. É paixão que arde na minha alma! E pela primeira vez na vida senti que pertencia em algum sítio, senti me em casa, senti me livre!

Lembro me tão bem, o momento em que a minha vida mudou, estava na piscina de casa do meu pai, numa manhã de Verão, em Montechoro (Algarve). Nada se ouvia além da brisa a passar os ramos das árvores, dos arvoredos, os pássaros a cantar e flores a pintar a envolvência. De repente comecei a ouvir um som que nunca tinha ouvido antes, que se foi aproximando de casa, quanto mais chegava perto, mais parecia uma tribo de índios com os seus tambores, mas quando chegou ao meu portão de casa, em ferro e através do qual não se conseguia ver nada, a tribo soltou todo o seu esplendor, como uma musica ritmada, aveludada mas intensa e forte. Saltei da beira da piscina e corri para o cimo da rampa de acesso à casa, o portão imponente começou a abrir, com o seu som metálico e lá estava uma moto enorme cheia de cromados e com o depósito bourdeaux, era uma Harley (fiquei a saber muito mais tarde). A vida daquela miúda de 7 anos nunca mais seria a mesma. Com aquele som a troar a família toda saiu do interior da casa e foi ver o que se passava e demorou a chegar a minha vez de ir andar, mas lá fui com o meu pai até Vilamoura. Durante a viagem não consegui parar de sorrir, sentia borboletas em todo o meu corpo, quando voltámos com o maior sorriso do mundo disse ao meu pai que quando fosse maior ia ter uma! Estava apaixonada por tudo o que aquele veículo de duas rodas me fazia sentir.
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Por volta dos meus nove, dez anos, um tio meu ensinou-me a conduzir numa Dt 50. Quando cheguei a casa, como não tinha moto, mas queria mais, “roubei” a do jardineiro… O meu pai chamava-me Rebaldeira, para o meu mano Henrique era a “terrorista”. Só fazia o que queria e não ligava ao que a sociedade esperava de mim. Ainda hoje há quem pergunte à minha madrasta, se eu era muito “maria rapaz“ a crescer. Durante muito tempo não percebia o que ela queria dizer com a resposta, pois eu andava sempre rodeada de rapazes, fazia os mesmos desportos que eles, desde andar de bicicleta, andar de skate, patins, apneia, wakeboard, snowboard e muito mais… A resposta mantém-se até hoje, “Ela sempre foi muito feminina, mas fazia tudo o que os rapazes faziam, muitas vezes melhor, mas sempre com muito mais estilo”!

Maria Duarte
maria@foxy-riders.com

Designer, fotógrafa e relação publicas. Tenho uma enorme paixão por motos e desportos radicais. Amo a forma como me fazem sentir! De tal maneira que o meu veiculo do dia a dia é uma BMW F800 e, para mim, escrevo para a melhor revista de motos portuguesa, a REV Motorcycle Culture, onde tenho a oportunidade única de experimentar novas motos, conhecer novos construtores e viver a minha paixão como forma de vida. A culpa foi do meu pai, que um dia chegou a casa com uma Harley Davidson e eu, miúda dos meus 6 ou 7 anos fiquei apaixonada para toda a vida. Aos 10 anos comecei a conduzir motos, mas como não tinha a minha, cheguei a “roubar” a moto do meu jardineiro. Por pensar e agir de forma muito própria, percebi muito cedo que sou responsável pela minha felicidade e que normalmente nada tem a ver com o que a sociedade nos incute, ganhei do meu pai a alcunha de “a rebaldeira”. Também porque adoro experimentar novas actividades e testar os meus limites, apesar de ser muito feminina, gosto de muitos desportos que são considerados, desportos ou actividades masculinas. Para mim, preconceitos! Algo que se manteve constante em toda a minha vida, passear de moto por um dia ou mais sem destino, só guiada pelo meu espirito aventureiro, ainda é das minhas coisas preferidas da vida!

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